O que são criptomoedas? Quais são as mais populares?

As criptomoedas são moedas digitais descentralizadas que servem maioritariamente como meio de troca de valor. As transações ocorrem na rede blockchain, a base de tudo, e são validadas pelos seus nodos. O prefixo “cripto” deve-se ao facto de serem usados fundamentos de criptografia e matemática para assegurar e verificar as transações, bem como supervisionar a criação de novas moedas. Diferentes criptomoedas podem ter objetivos diferentes, como iremos explicar mais à frente.

Existem milhares de criptomoedas, e algumas delas são projetos com bastante potencial devido à sua essência inovadora. Sites como o CoinMarketCap ou LiveCoinWatch permitem-te verificar a lista de criptomoedas que existem e outras informações bastante relevantes sobre as mesmas.

Neste artigo iremos abordar algumas das mais populares além do Bitcoin.

Se quiseres saber mais sobre o Bitcoin e a Blockchain para perceber melhor a tecnologia por trás podes consultar o nosso artigo “O que é o Bitcoin e a Blockchain?”. É importante estar informado sobre este tópico para perceber como a tecnologia por trás das criptomoedas pode inovar em indústrias existentes no mercado global atual.

 

Ethereum (ETH):

 

O Ethereum é uma plataforma descentralizada baseada em Blockchain para aplicações conhecidas como dApps – decentralized applications (aplicações descentralizadas). É movida pelo Ether – a sua criptomoeda. Estas aplicações são construídas através de Smart Contracts, que tal como o nome indica, são “contratos virtuais” que são executados automaticamente na Blockchain quando certas condições são cumpridas. Isto permite que estas aplicações corram sem operadores intermediários humanos tornando-as mais eficientes e confiáveis.

Um exemplo simples de um Smart Contract seria: “pagar 30€ ao jornalista se ele submeter um artigo de 500 palavras até ao fim da semana”. Este tipo de execução de contratos permite simplificar processos desta natureza, tal como prestação de bens e serviços.

As características das dApps que as tornam inovadoras são:

  • Open source (código aberto): permitem que os utilizadores possam ver o código para perceber o que é feito pela aplicação; isto faz com que as dApps sejam geridas pela sua comunidade (um exemplo parecido com isto é o sistema operativo Linux, muito conceituado e usado por muitas empresas de sucesso como o seu sistema operativo de escolha);
  • Autónomas: agem automaticamente de acordo com as regras codificadas na aplicação. Com isto não existe corrupção externa;
  • Seguras: os dados de utilizadores e os protocolos são armazenados criptograficamente na Blockchain, não permitindo hacks;
  • Sem falhas de serviço: por estarem a correr na Blockchain, não há crashes, as aplicações estão sempre a correr;
  • Mais lucráveis: os developers (programadores)  – quem cria a aplicação – não precisam de pagar à plataforma para lançar a sua dApp, e não é retirada uma comissão monetária em como outras plataformas (Google Play ou Apple Store);

Estas aplicações podem ser criadas usando linguagens de programação como o HTML e o JavaScript, que já são linguagagens bem conhecidas e usadas no mercado. Todas as apps usam estas linguagens portanto a diferença entre as dApps e as Apps são quase imperceptíveis.

Por estes motivos já existem várias criptomoedas de sucesso, colocadas no Top 100, que utilizam a plataforma do Ethereum para os seus projetos.

Ao contrário de outras criptomoedas o objetivo do Ethereum não é funcionar como uma moeda virtual para pagamentos. A sua comunidade pretende criar uma plataforma onde toda a gente possa participar livremente com a criação de dApps para poderem criar algo de valor que seja open source e possivelmente ter rendimentos com isso. Tem atraído atenção de vários bancos e empresas como JPMorgan Chase, Microsoft, Intel, Mastercard, Credit Suisse etc.

 

 

Bitcoin Cash (BCH):

O Bitcoin Cash surgiu como um hard fork do Bitcoin em Agosto de 2017. As divergências surgiram quando a comunidade teve opiniões diferentes em como lidar com os problemas existentes do Bitcoin, principalmente a sua escalabilidade. Quantos mais utilizadores utilizavam a rede, o volume de transações aumentava consideravelmente, isto limitava a velocidade das transações e também o custo das mesmas.

O Bitcoin Cash melhora isto ao aumentar o tamanho dos blocos da Blockchain do Bitcoin de 1 MB para 8 MB. As transações com BCH são mais rápidas e baratas. A sua comunidade espera que esta criptomoeda venha a competir com o volume de transações gerado por empresas como o PayPal ou Visa, tendo a vantagem de ser operado na Blockchain.

Por ter superado alguns obstáculos que o Bitcoin enfrentava, é visto por muitos como o seu sucessor, incluindo pessoas importantes na comunidade “crypto” como Vitalik Buterin, Roger Ver, Calvin Ayre e Gavin Andersen.

 

Ripple (XRP):

 

Como tecnologia, a plataforma Ripple que utiliza o seu protocolo de pagamento para transferir grandes quantias de dinheiro (moeda fiduciária) de forma segura, instantânea e quase gratuita. Por este motivo já tem acordos com vários bancos internacionais e mais recentemente até a Apple tem demonstrado interesse em trabalhar com ela.

Há algumas diferenças relativamente a outras criptomedas pois a sua arquitetura não é descentralizada como no caso de outras criptomoedas, e existem dúvidas quando ao valor do seu token, XRP, uma vez que ele não é necessário para fazer estas transferências monetárias. O processo de criação de XRP não é a mineração, pois todas as suas moedas foram lançadas de uma vez quando a Ripple foi criada. O objetivo da Ripple é facilitar o envio de grandes quantidades de dinheiro entre fronteiras, diminuindo as taxas e os valores de espera. Daí ter muitas parcerias com bancos reconhecidos internacionalmente.

Em Maio de 2018, o XRP é a 3ª maior criptomoeda com base no seu capital de mercado (Market Cap). A sua usabilidade é um dos grandes pontos a seu favor.

 

 

Dash (DASH):

 

 

 

O Dash é uma criptomoeda com objetivo parecido ao Bitcoin, ou seja, funcionar como um meio de pagamento. Porém existem algumas diferenças, uma vez que o Dash pretende ser uma versão mais utilizável, com transações mais rápidas e mais baratas.

Outras diferenças notáveis é que no caso do Bitcoin, o endereço de um utilizador é algo tipo “3KiBQfwzHdsPTGmmzvkC4pzZHhmobaCJ6g”. Com Dash cada utilizador simplesmente tem um nome de utilizador normal como “Utilizador16”.

O algoritmo de consenso utilizado pelo Dash é diferente, sendo uma vertende híbrida entre o Proof-of-Work e Proof-of-Stake que introduz o conceito de masternode. Estes nodos fazem o trabalho pesado da rede Blockchain desta criptomoeda, e recebem recompensas maiores por isso.

As soluções “InstaSend” e “PrivateSend” são protocolos caraterísticos do Dash que permitem transações instantâneas e completamente anónimas, respetivamente.

Há dúvidas na comunidade “crytpo” que o Bitcoin venha ser uma criptomoeda de uso diário, e é nessa falha que o Dash pretende capitalizar.

 

Litecoin (LTC):

O criador da Litecoin pretendeu que esta fosse uma criptomoeda complementar ao Bitcoin, e não uma competidora. Por este motivo ela é vista como a “prata” sendo que o Bitcoin é o “ouro”. O seu criador Charlie Lee é um ex-engenheiro da Google, que lançou a Litecoin como um fork do Bitcoin.

Assim como é o caso de outras criptomoedas, Charlie Lee criou a Litecoin para que ela oferecesse soluções a alguns problemas do Bitcoin, como tempos de transação, taxas e concentração de mining farms. O algoritmo de mining é diferente e mais complicado de aplicar do que o do Bitcoin.

Com esta filosofia, a Litecoin teve um crescimento de aproximadamente 7.000% em 2017, em comparação ao crescimento de 1.700% do Bitcoin.

Fundamentalmente a Litecoin é um “clone” do Bitcoin, mas com transações mais eficazes e com um algoritmo de mining diferente, que pretende democratizar mais o processo de criação desta moeda.

 

Stellar Lumens (XLM):

O projeto Stellar é descrito como uma infraestrutura de pagamentos open-source. Ou seja, uma plataforma onde qualquer indivíduo, instituição e sistema de pagamentos de qualquer lado do mundo se possa conectar. É algo semelhante ao Ripple mas com a grande diferença de ser descentralizado e open-source. Neste caso, o seu token, XLM é então usado para possibilitar transações monetárias rápidas, seguras, baratas e sem fronteiras geográficas.

Além disto o Stellar oferece ainda uma opção de distributed exchange – bolsa de valores distribuída – onde os utilizadores podem publicamente colocar ordens de compra ou venda de outras moedas fiduciárias como Euro ou Dólar, com preços determinados pelo próprio indivíduo. Futuramente pretende-se incluir outras pares de troca com o XLM e outras criptomoedas nesta bolsa distribuída.

As transações de XLM são bastante rápidas, baratas e seguras. De notar também que todos os XLM já estão criados e não são minerados, e a sua Blockchain utiliza um algoritmo de consenso diferente do Bitcoin conhecido como Proof-of-Stake. Este tipo de algoritmo pretende tornar a utilização da rede Blockchain mais segura e computacionalmente leve.

Algumas parcerias impessionantes com a IBM e Deloitte, entre outras, têm dado a esta criptomoeda muito boa reputação como investimento.

 

 

Além destes existem outros projetos com propostas bastante interessantes. Iremos lançar artigos que falem sobre eles como já fizémos para o Tron e o EOS.